Tons de absoluto

Não sei há quantas vidas já andávamos para nos encontrar. Acho que sempre foi inevitável que nos acontecêssemos.
Há, claramente, um ‘Antes da Maria’ e um ‘Depois da Maria’, na minha vida, na tua, na vida de todos os que se cruzam contigo. E nunca é por acaso que nos cruzamos contigo. Nunca és um acaso – mas tornas-te sempre num caso sério.
Se tivesse que te definir não saberia nunca por onde começar. Talvez, por isso, deixe o início em aberto porque o melhor ainda está para vir.
Há qualquer coisa de viciante em ti, algo que nos prende e nos liberta em doses insanamente necessárias. Trazes uma inesgotável e obstinada força presa aos olhos e uma despudorada paixão pela vida a dançar-te nos lábios. Como se carregasses, num corpo pequeno, uma missão maior que tu; como se guardasses no peito uma infindável reserva de esperanças e sonhos – os mesmos que partilhas incansavelmente connosco em noites de fim de mundo. A sintonia dos nossos abraços é, só por si, uma história com vida própria. Tu és tão verdade que, por vezes, temos que nos afastar para não doer. És verbo sem medo, és uma coragem que se aprende. És o avesso das retas, um voo rasante, o cabelo desalinhado, a mão que ampara, o chão que nos falta, a palavra que nos queima as certezas, o lado de dentro de um beijo.
Nunca se sai ileso de ti.
Há um pacto cúmplice que pinta esta amizade em tons de um absoluto para sempre. Ainda temos tudo por fazer.

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